O estudo do PDE 2035 detalha como a eletromobilidade no Brasil avança com novos modelos, políticas públicas e expansão da infraestrutura, ampliando impactos no transporte rodoviário
A eletromobilidade no Brasil entrou de vez na agenda nacional ao aparecer como peça central das discussões sobre o futuro do transporte, especialmente após a divulgação, no último dia18 de novembro, do Caderno de Eletromobilidade do PDE 2035 pelo MME e pela EPE.

O documento revela um cenário em que a eletrificação se torna acessível por conta da queda de preços, de novos modelos no mercado e de políticas públicas direcionadas à renovação da frota, segundo uma matéria publicada.
Com isso, o país observa um crescimento que reorganiza expectativas em segmentos como veículos leves, ônibus e caminhões.
O avanço também reflete maior atenção à integração entre energia e mobilidade, já que a expansão projetada envolve impactos diretos no planejamento elétrico.
Nesse ambiente, o tema desperta interesse de consumidores, empresas e gestores públicos, ampliando debates sobre logística, indústria e sustentabilidade.
Infraestrutura de recarga no Brasil
A ampliação da infraestrutura de recarga no Brasil aparece como elemento decisivo para sustentar o ritmo observado nos licenciamentos, que cresceram 89% em 2024.
O salto de 219% nos modelos 100% elétricos mostra que o mercado responde rapidamente quando encontra oferta compatível com suas necessidades.
A presença de pontos de recarga mais distribuídos, aliada à chegada de veículos importados com preços mais competitivos, influencia escolhas tanto de motoristas particulares quanto de empresas.
No transporte urbano, essa evolução se soma ao avanço de nichos como comerciais leves usados no last-mile delivery, estimulados pelo crescimento do comércio eletrônico e por metas corporativas de descarbonização.
O movimento confirma que a eletromobilidade no Brasil começa a se integrar à rotina de diferentes cadeias produtivas, moldando novas dinâmicas de distribuição.

Projeções do PDE 2035
As projeções do PDE 2035 indicam que o país pode alcançar 23% de licenciamentos de veículos leves eletrificados em 2035, o equivalente a 784 mil unidades.
Esse ritmo levaria a uma frota de 3,7 milhões de veículos eletrificados no segmento, mantendo a tecnologia flex como predominante.
O estudo destaca ainda o impacto do Novo PAC, que destinou R$ 7,3 bilhões para 2.296 ônibus elétricos na seleção de 2023, além de R$ 2,6 bilhões para veículos Euro VI e R$ 0,7 bilhão para sobre trilhos.
Essas iniciativas sugerem que a eletromobilidade no Brasil se estrutura de forma combinada entre políticas públicas e estratégias corporativas.
Para o leitor que deseja detalhamento completo, o estudo oficial está disponível para consulta aberta ao público.
Caminhões elétricos leves
O avanço dos caminhões elétricos leves revela outro eixo relevante, com projeção de 19% dos licenciamentos para modelos BEV nessa categoria até 2035.
Ao final do período, a frota de caminhões eletrificados deve atingir 43 mil unidades, embora o diesel siga dominante entre pesados e semipesados.
O movimento acompanha a expectativa de aumento da demanda de eletricidade, que deve passar de 627 GWh em 2025 para 7,8 TWh em 2035, exigindo planejamento adequado de redes e tarifas.
Nesse contexto, a eletromobilidade no Brasil se beneficia da ampla disponibilidade nacional de biocombustíveis sustentáveis, como o etanol, permitindo uma transição equilibrada entre eletrificação, híbridos flex e combustíveis renováveis.
Além disso, o estudo chama atenção para desafios diretos globais ligados à oferta de minerais estratégicos usados em baterias, cuja produção é concentrada em poucos países.
Essa realidade reforça o valor da diversidade tecnológica disponível no Brasil, que reduz riscos e amplia alternativas para consumidores.





